Na Amazônia, padre de São Miguel redescobre força da fé onde chegar à missa exige enfrentar rios e barcos
Entre rios, barcos e comunidades distantes, o padre Whalison Silva, de São Miguel (Alto Oeste potiguar), viveu entre 10 e 16 de agosto uma experiência missionária que o levou a conhecer de perto uma realidade muito diferente da do interior do Rio Grande do Norte.
O sacerdote esteve em Muaná, no Pará, durante uma missão pelos 50 anos da chegada das Irmãs Religiosas da Sagrada Face ao Brasil. No local, as religiosas mantêm uma casa de missão e realizam ações junto às comunidades. A viagem também marcou a renovação dos votos de três irmãs com 25 anos de vida religiosa.
Mais do que uma celebração, a experiência proporcionou contato direto com uma população que enfrenta grandes dificuldades para o sustento e acesso a oportunidades. “Foi possível conhecer de perto uma realidade que muitas vezes só vemos pelos meios de comunicação”, relata o padre.
A missão revelou também uma dimensão marcante da vida religiosa na Amazônia: em muitas comunidades, participar da missa exige longas travessias de barco, por rios e sob condições adversas. O que poderia afastar os fiéis, na verdade reforça o sentido do encontro comunitário e da presença da Igreja.
Nesse contexto, a fé se torna mais que prática semanal: é presença viva em locais isolados e com poucos recursos. Para o padre Whalison, a principal lição foi entender que a evangelização não depende de condições ideais.
Para o sacerdote, a lição central foi clara: mesmo com poucos recursos, permanece grande a busca por sentido, esperança e fé.
“Nem sempre teremos todos os recursos, mas nunca faltarão pessoas dispostas a aprender sobre Jesus e a ensinar a quem chega sobre a vida”, afirma.
A experiência evidenciou o contraste entre limitações de acesso e a força da fé como espaço de esperança e convivência. Também reforçou que a missão acontece justamente onde as dificuldades são maiores — onde chegar exige atravessar rios e enfrentar o clima.
De volta a São Miguel, ele traz não só a lembrança da viagem, mas uma nova percepção sobre a religiosidade.
A experiência antecede a reta final dos preparativos para mais uma festa em homenagem ao padroeiro São Miguel Arcanjo que ocorrerá em setembro.