Silêncio e abandono: O drama das famílias de autistas do RN. Pesquisa mostra alto índice de filhos abandonados no País
Quando o laudo chega, o mundo muda — às vezes, para sempre.
Para centenas de famílias no Rio Grande do Norte, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos filhos não representa apenas um novo começo de tratamento e adaptação: marca, muitas vezes, o início de uma solidão que o Estado e a rede de apoio ainda não conseguem preencher.
A situação é ainda mais complexa em municípios de regiões distantes da capital como Pau dos Ferros, Portalegre, Apodi e Assú que sofrem com apoio institucional insuficiente.
Dados nacionais revelam que até 78% dos pais abandonam mães de crianças com deficiência antes dos 5 anos.
No RN, onde o número de autistas diagnosticados quase dobrou em três anos, a rede de apoio ainda enfrenta lacunas históricas.
No Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de dois milhões de pessoas vivem com algum grau do Transtorno do Espectro Autista.
O número, por si só, já seria suficiente para exigir políticas públicas robustas de saúde e assistência social. O que os dados revelam, porém, vai além do diagnóstico clínico: revelam uma crise familiar silenciosa.
A psicóloga Ana Celeste, especialista na área, explica que o motivo mais recorrente é a dificuldade do pai em lidar com o luto pela perda do chamado ‘filho ideal’. ‘Dão um apoio muito frágil ou simplesmente abandonam’, afirma.
Pesquisa da Universidade do Vale do Itajaí reforça o cenário: 73% dos pais de crianças com TEA relatam sobrecarga e estresse crônicos, e 41% admitiram ter cogitado abandonar o filho ou a família.
Esses números, embora nacionais, ecoam no cotidiano de mães potiguar que constroem, sozinhas, toda a rede de cuidado dos filhos.
Sem muitas alternativas a maioria se vê na dependência de ações judiciais que corrijam o mínimo para a condução de apoio aos filhos autistas.